Livros publicados
Onze minutos, de Paulo Coelho
Paulo Coelho, cujos livros foram traduzidos para 56 idiomas e já venderam quase 54 milhões de exemplares em mais de 150 países, desta vez inspira-se na vida de uma prostituta brasileira na Suíça para falar do lado sagrado do sexo. No ano 2000, durante uma tarde de autógrafos em Genebra, o escritor conheceu uma mulher que havia trabalhado nas boates da cidade usando o nome de guerra Maria. Foi depois de ouvir sua história - e a de várias outras moças - que Coelho concluiu que ela seria uma excelente base para a abordagem do assunto que há tanto tempo o interessava. "Para escrever sobre o lado sagrado do sexo, era necessário entender por que ele tinha sido tão profanado", ele explica. A Maria da ficção é nordestina e teve uma adolescência pontuada por frustrações no sertão. Poderia se casar facilmente, mas não quer fazer isso antes de realizar o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Ela economiza durante dois anos e parte para o famoso cartão-postal. Na praia de Copacabana, ela desperta a atenção de um empresário suíço, que logo a convida a acompanhá-lo à Europa, com promessas de transformá-la numa estrela muitíssimo bem remunerada. Sempre disposta a arriscar e com a permissão de sua família, com quem compartilha o sonho dourado, Maria se muda para a desconhecida Genebra tendo em mãos um contrato assinado. Se ela o tivesse lido com atenção, talvez tivesse percebido a armadilha a tempo: um trabalho semi-escravo de dançarina numa casa noturna. Em pouco tempo, ela acaba se tornando prostituta. Com esta trajetória, semelhante à de tantas mulheres, Maria amadurece precocemente e se distancia cada vez mais dos ideais de felicidade que tinha na adolescência. No decorrer de um ano vendendo seu tempo sem poder comprá-lo de volta, como ela diz, a jovem aprende a ser prática e realista, vacinada contra ilusões. Em vez de sonhos, agora ela tem um objetivo: juntar dinheiro para comprar uma fazenda no Brasil. E seu corpo é apenas a fonte de renda necessária para isso. Paralelamente à narrativa, há o diário de Maria, onde ela anota as conclusões tiradas de sua peregrinação às avessas. "Meu livro não se propõe a ser um estudo da prostituição", diz Paulo Coelho. "Procurei fugir por completo de qualquer conotação moralista, de julgar o personagem principal pela escolha que fez. O que me interessa, verdadeiramente, é a abordagem das pessoas com relação ao sexo" De fato, dizer que Onze minutos é a história de uma prostituta seria uma definição muito simplista. Mais importante que a trajetória de Maria é o aprendizado que ela é capaz de extrair de suas duras experiências no exterior. Ela escreve em seu diário: "Os evangelhos e todos os textos sagrados de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus (...) - é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos" Pelo menos uma característica a personagem Maria tem em comum com seu criador, Paulo Coelho: ambos são fiéis a si mesmos. O escritor diz que nunca planeja criar ou evitar polêmicas - seu compromisso é apenas falar daquilo que o preocupa, não do que todos gostariam de escutar. "Alguns livros nos fazem sonhar, outros nos trazem a realidade, mas nenhum pode fugir daquilo que é mais importante para um autor: a honestidade com o que escreve", ele explica. Na nota final, você agradece a uma certa Maria, em cuja
vida teria sido baseado "Onze minutos". Até que
ponto a Maria do livro é a Maria da vida real? O quanto de
si mesma ela encontrará na história? Outras mulheres são citadas na nota final por seus nomes
de guerra. Elas são todas brasileiras? Suas histórias,
assim como a de Maria, também ajudaram a compor a personagem
principal?
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